Apostar nas divisões de base foi o segredo para o sucesso do Barcelona

Ferran Soriano, Vice-Presidente financeiro do Barcelona de 2003 a 2008 e autor do livro ‘A bola não entra por acaso’ fez palestra hoje no primeiro dia da Soccerex,  feira de negócios de futebol, que está sendo realizada no Rio de Janeiro.

Ferran Soriano, VP de Finanças do barcelona de 2003 a 2008

O dirigente explanou que apostar nas Categorias de base teve importância destacada na recuperação financeira do clube catalão.

– Hoje em dia, contratar um bom jogador custa caro, então é melhor formá-lo dentro do próprio clube.

Presente no Evento, o Presidente do Vasco Roberto Dinamite disse ser possível, apesar das diferenças entra a realidade da Espanha com a do Brasil, adotar algumas medidas fruto da experiência no Barcelona.

É complicado comparar qualquer clube do mundo ao Barcelona, que tem milhares de sócios e cotas privilegiadas de TV e patrocínio. No entanto, nós podemos e devemos melhorar a estrutura do clube para, assim como eles (Barcelona), formar o atleta e garantir que ele permanecerá conosco por muito tempo – comentou Dinamite, para depois detalhar as medidas que podem ser adotadas.

Temos que ter um bom relacionamento com o jovem jogador e também com seus familiares, para que se crie uma identificação com o clube. O jogador, quando novo, não tem dono e pode sair quando quiser, mas temos que trabalhar para que o continue sendo a referência na hora de formar os atletas – explicou ao esportes.terra.

Dinamite pode se inspirar na própria história pois foi formado pelo Vasco e antes de transferir-se para o Barcelona construiu uma forte identidade com o clube que o revelou

Retomando Ferran Soriano, aí vai um trecho de seu livro:

Trabalho e talento

«Se queremos ter uma equipa vencedora, uma equipa que tenha a possibilidade de ganhar campeonatos com frequência, precisamos de trabalhar com firmeza para ter um clube grande, que gere receitas suficientes para poder, entre outras coisas, contratar o melhor talento futebolístico disponível. E isto faz-se com trabalho duro, gerindo com critério, com o senso comum que tanto o director de uma multinacional como o dono da loja da esquina devem possuir. Não tem nada que ver com o acaso.»

Um caso exemplar

«Uma vez perguntei a um dirigente do FC Barcelona da época em que foram contratados dois jogadores brasileiros muito jovens, praticamente desconhecidos e sem experiência no futebol europeu (Geovanni Deiberson e Fábio Rochemback), as razões de tais contratações e porque haviam pago uma quantia tão elevada (18 e 12 milhões de euros, respectivamente) por eles. A sua resposta:

«Disseram-me que Rochemback era igual a Nessekens e Geovanni era o novo Garrincha. Pensei que, depois de tantos erros cometidos e tanta falta de sorte, alguma decisão teria de nos ser favorável; era precisamente isso que esperávamos com aquelas contratações.»

Ou seja, aparentemente, o Barça gastara 30 milhões de euros em dois jogadores jovens e desconhecidos porque os seus dirigentes estavam convencidos de que a providência iria ressarcir o clube de todos os erros infortúnio anteriores. É óbvio que havia uma forma mais racional de avaliar a necessidade de contratar aqueles jogadores e o preço a pagar por eles, e que não tem nada que ver com sorte, azar ou uma suposta montanha-russa de acertos e erros orquestrada por um Deus caprichoso.»

 

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