Campanha do Brasil sub-15 no Sul-Americano com Philippe Coutinho e Belchior

Especial Olheiros.com

Campanha brasileira: de contratempos para um final feliz

De menos para mais. Assim pode ser definida a campanha brasileira. A marca registrada da CBF se fez presente, claro. Mas podem nos questionar: “O Brasil tem vencido muita coisa na gestão Ricardo Teixeira”. Alguém já viu um poço de petróleo ou uma jazida de diamantes darem prejuízo? É mais ou menos por aí com relação à produção de jogadores por aqui. Mesmo com erros crassos e pedregulhos no caminho, a coisa caminha com certa tranqüilidade. Vejamos jogo a jogo, então, o que realizou a vitoriosa sub-15 do Brasil:

Brasil 1 (0) x 0 (3) Peru (BRA – Coutinho, aos 36′ do PT)
Perder por três gols a zero na estréia, em casa e numa competição sul-americana, é, praticamente, uma tragédia. Perder quando não se toma gols e ainda se faz um, o cúmulo do bizarro. Mas foi isso que aconteceu na primeira partida dos anfitriões. Uma má jornada, que teve o solitário Coutinho como autor do gol e nos apresentou o ótimo peruano Arroe. O brinde foram as quatro (!) substituições de Jorge Silveira, que resultaram em inversão dos pontos e saldo negativo, via decisão absolutamente amparada na regra, da Conmebol. Os detalhes técnicos e táticos deste duelo ficaram (e sempre ficarão), inevitavelmente, em segundo plano.

Brasil 5 x 0 Equador (BRA – Coutinho, aos 14′ do PT e aos 46′ do ST; Eron, aos 24′ do PT; Gérson, aos 20′ do ST e Guilherme Morano, aos 41′ do ST)
Mordido e motivado, como não poderia ser diferente, o Brasil entrava em campo para o que já era uma primeira decisão. Marcando a saída de bola equatoriana, logo fez o placar, ao passo que anulava os destaques tricolores: o habilidoso meia De la Cruz e o oportunista atacante Celi. Em nenhum momento os brasileiros foram pressionados e o resultado se deu naturalmente, para alívio do pressionado Jorge Silveira e dos jogadores. Coutinho, mais uma vez, roubou a cena.

Brasil 2 X 1 Venezuela (VEN – Aristeguieta, a 1′ do PT; BRA – Gérson, aos 15′ do ST e Guilherme Morano, aos 30′ do ST)
Ao entrar de forma sonolenta (o pós-goleada é sempre perigoso!), os meninos brasileiros acabaram por complicar um jogo que poderia ser fácil. Um gol rapidamente tomado e muito suor para virar a duríssima peleja. A partida foi realizada no campo da PUC, em Porto Alegre, e o bom número de torcedores já vaiava os locais quando estes fizeram os gols, para desafogo e desabafo geral. A classificação estava encaminhada.

Brasil 2 X 1 Uruguai (URU – Brugman, aos 26′ do PT; BRA – Wellington, aos 27′ do PT e Felipinho, aos 31′ do PTO resultado anterior, de derrota do Equador, deixara Brasil e Uruguai classificados, ficando por decidir apenas as colocações do Grupo A.)
Em um 1º tempo eletrizante – entre as duas melhores equipes do torneio, aliás – os uruguaios estiveram absolutamente bem plantados, como de praxe, e investiram nas saídas rápidas. Não contavam era com um empate relâmpago brasileiro, que modificou a história da partida e permitiu a virada ainda num instante de “tonteira” cisplatina. O jogo marcou pelo gol de Felipinho, que a partir daí cresceu muito de produção. O placar final, de qualquer forma, ficou bom pra todo mundo.

Brasil 3 X 1 Argentina (BRA – Felipinho, aos 7′ do PT; Gerson, aos 22′ do PT e Fernando, aos 5′ do ST; ARG – Rotondi, aos 31′ do ST)
A fase final reservou um super-clássico mundial logo na 1ª rodada. Salienta-se que a mediana equipe Argentina até foi bastante guerreira, porém a hierarquia individual se fez presente. Um belo gol do ambidestro Felipinho – mais uma vez num chute seco e preciso de canhota – e outro tento do zagueiro Gérson, em falha clamorosa do atrapalhado goleiro Mariano Vera, praticamente sepultaram as chances argentinas na partida. O talentoso camisa 10 Matías Sosa, ainda tentou incomodar a defesa brasileira com suas jogadas insinuantes, entretanto era pouco pra mudar a história do confronto. Três pontos fundamentais na conta brasileira rumo ao título.

Brasil 1 X 2 Uruguai (URU – Gallegos, aos 22′ do PT e Polenta, aos 44′ do PT; BRA – Wellington, aos 35′ do PT)
A melhor e mais nervosa partida da competição. Muita emoção nos mais de 90 minutos jogados. Efusiva comemoração uruguaia, que fez o site da Conmebol, inclusive, se referir ao episódio como um “Maracanazinho”. Para tanto, a mesma receita, só que com um final diferente. Muita consistência defensiva e aposta no “trio de ouro”: Gallegos, Barreto e Mezquida. O jaqueta sete Gonzalo Barreto, especialmente, fez jogo magistral. Mesmo sentindo fortes dores, após grave torção no tornozelo, incomodou muito os brasileiros com suas arrancadas e na inteligência em cadenciar quando necessário. Vitória merecida, e o título caminhava para Montevidéu.

Brasil 3 X 0 Chile (BRA – Felipinho, aos 36′ do PT; Belchior, aos 11′(penal.) do ST e Matheus Carvalho, aos 43′ do ST)
Para os brasileiros, uma partida de 180 minutos. Bem mais difícil que conseguir o folgado placar de três a zero, foi torcer pela derrota uruguaia para os argentinos, logo a seguir. Com Belchior no lugar do Fernando, a fluência na saída de bola melhorou consideravelmente. Matheus Carvalho no de Guilherme Morano, nova cara ao ataque, muito mais leve e talentoso. Resultado protocolar. Cabia, agora, assistir ao clássico que decidiria o título. Empate ou vitória uruguaia, caneco pra celeste. Vitória argentina, Brasil com o bi. E a entusiasmada “secada” surtiu efeito (com direito a vários “Ar-gen-tina!”). Matías Sosa e Mauricio Aubone fizeram gols “brasileiros” pela 1ª e, quem sabe, única vez. Festa verde e amarela em Porto Alegre! (MM)

Coutinho

Com belos gols, assistências e imensurável qualidade técnica, Coutinho foi o principal destaque individual do campeonato e tornou-se alvo do Real Madrid, sendo tratado na Espanha como o “novo Messi”.

 

O 11 ideal

Com a autoridade de quem acompanhou um grande número de partidas, o Olheiros montou sua seleção da competição. Para privilegiar a qualidade técnica, o time foi escalado no esquema 3-4-1-2 e precisou sofrer algumas pontuais improvisações. Confiram:

Ichazo (URU), Gérson (BRA), Polenta (URU), Ameli (ARG); Barreto (URU), Sepúlveda (CHI), Gallegos (URU), Eron (BRA); Coutinho (BRA); Felipinho (BRA), Mezquida (URU). Técnico: Jorge Silveira (BRA).

Anúncios

Os comentários estão desativados.